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Vídeo sobre violência contra mulher pressiona aliada de Lira em Alagoas

Vídeo sobre violência contra mulher pressiona aliada de Lira em Alagoas
Brasil

Post diz que candidato que “bate em mulher” deve “apanhar nas urnas” e provoca cobranças a Marina JHC, aliada de Arthur Lira em Alagoas

Barbara Tenorio
28/09/2026 19:59
Reprodução

Um vídeo sobre violência contra a mulher passou a movimentar a reta final da disputa pelas duas vagas de Alagoas no Senado e provocou cobranças nas redes sociais à candidata Marina JHC (PSDB) por sua aliança eleitoral com Arthur Lira (PP).

A publicação é da candidata a deputada federal Amarides Kummer (MDB). Sem citar nomes, o vídeo afirma: “Candidato ao Senado que bate em mulher, tem que apanhar nas urnas!”

Não há indicação de quem seja o candidato mencionado. Amarides não cita Lira e, portanto, não é possível atribuir diretamente a ele a mensagem.

A postagem surge, porém, no momento em que antigas acusações de violência doméstica feitas contra Lira por sua ex-companheira, Jullyene Lins, voltaram ao debate eleitoral.

Dias antes, Renan Filho (MDB), candidato ao governo e adversário do grupo de Lira, havia mencionado o caso durante sabatina da TV Pajuçara.

Cobranças chegam a Marina JHC

Após a publicação de Amarides, usuárias da rede social passaram a questionar nas redes sociais Marina JHC sobre sua aliança com Lira. Marina e Lira concorrem às duas vagas do Senado pelo mesmo campo político de JHC (PSDB), candidato ao governo.

Os três integram o palanque alagoano de Flávio Bolsonaro (PL), que anunciou apoio a JHC para governador e a Marina e Lira para o Senado.

Marina também tem colocado a defesa das mulheres em sua campanha, com propostas de proteção e combate ao feminicídio. É justamente a combinação desse discurso com sua parceria eleitoral com Lira que passou a ser questionada por usuárias.

Julgamento no STF

Jullyene Lins acusou de violência doméstica Arthur Lira, então companheiro dela. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, em 2015, a Segunda Turma absolveu Lira por unanimidade da acusação de lesão corporal leve, por considerar insuficientes as provas para uma condenação. A imputação de ameaça estava prescrita, segundo a Corte. Lira, portanto, não foi condenado no processo.

Anos depois, em 2023, Jullyene tornou pública uma acusação diferente, afirmando ter sofrido violência sexual durante o relacionamento. Essa alegação posterior não foi objeto do julgamento de 2015. Lira contesta as acusações e recorreu à Justiça contra sua divulgação.

Em uma das disputas judiciais decorrentes das publicações, uma decisão de primeira instância condenou Jullyene e a Agência Pública a indenizar Lira. O veículo recorreu. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) criticou a decisão e citou posição da Agência Pública de que a acusação de violência sexual constituía um relato distinto daquele julgado anteriormente.

A disputa chegou ao sistema internacional. A defesa de Jullyene apresentou uma petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, alegando falhas do Estado brasileiro na proteção da denunciante e no acesso à Justiça. A apresentação da petição não equivale a uma condenação internacional do Brasil nem de Lira.

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João Vianna

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