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Santa Catarina amplia grupos reflexivos para autores de violência

Santa Catarina amplia grupos reflexivos para autores de violência

O combate à violência contra a mulher em Santa Catarina tem ganhado novos contornos com a expansão de grupos reflexivos voltados para homens autores de agressões, uma estratégia que busca ir além da punição tradicional e atuar diretamente na prevenção e na mudança de comportamento.

Expansão e funcionamento dos grupos reflexivos

Dados preliminares da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica, do Tribunal de Justiça catarinense, apontam um salto expressivo: o estado passou de 32 grupos em 2022 para 62 atualmente. Esse crescimento ocorre por meio de iniciativas como o Projeto Ágora, fruto de um convênio com a Universidade Federal de Santa Catarina e supervisionado por Michelle de Souza Gomes Hugill. Os homens são encaminhados pela Justiça e participam de encontros semanais após passarem por triagem.

Metodologia e responsabilização dos agressores

Durante os encontros, temas como masculinidade, parentalidade e a Lei Maria da Penha são debatidos para ajudar os participantes a reconhecerem seus atos. “A ideia é que esses homens entendam quais são os atos violentos que estão cometendos e mudar sua forma de relacionamento tanto com as mulheres quanto com as outras pessoas da sua convivência”, pontua Michelle de Souza Gomes Hugill. Casos mais graves, como feminicídio e violência sexual, recebem atendimento em frentes específicas e separadas.

Baixa taxa de reincidência em Florianópolis

Para Nayara Branke, juíza de Direito titular do Juizado de Violência Doméstica da Capital e coordenadora adjunta da Cevid, a iniciativa representa uma transformação necessária no sistema. “Nós não podemos só dar instrumentos para a vítima se proteger. É fundamental isso, mas a gente precisa também olhar para a pessoa que comete a violência doméstica e familiar”, afirma a magistrada. Em Florianópolis, onde o projeto ocorre desde 2020, a taxa de reincidência entre os acompanhados é inferior a 5%.

Educação, prevenção e o papel da sociedade

Especialistas concordam que o rigor penal isolado não dá conta de uma problemática enraizada em padrões culturais e machistas. Nayara Branke reforça que a resposta exige articulação multissetorial: “Nenhuma instituição sozinha vai resolver um problema tão complexo como a violência de gênero.” Já Michelle destaca que a transformação exige o engajamento ativo dos próprios homens ao reprovarem posturas abusivas no cotidiano, buscando sempre estabelecer “Na realidade nós temos que viver em harmonia e numa relação de iguais.”, conclui Nayara.

Com etapas voltadas para a compreensão dos atos, assunção de responsabilidade e construção de novas formas de relacionamento, a política pública catarinense consolida um modelo que busca proteger as vítimas e, ao mesmo tempo, evitar que novos ciclos de violência aconteçam.

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