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Tarcísio planeja 2º mandato sem Kassab e mira obras para 2030

Tarcísio planeja 2º mandato sem Kassab e mira obras para 2030

Após assegurar a vitória nas urnas para governar o estado de São Paulo por mais quatro anos, Tarcísio de Freitas (Republicanos) já desenha a estrutura de sua próxima gestão. O novo ciclo deve ser marcado pelo afastamento definitivo de Gilberto Kassab (PSD) dos postos de comando direto e pela antecipação do xadrez político que mira o Palácio dos Bandeirantes e o Palácio do Planalto em 2030.

Mudanças no secretariado e distanciamento do PSD

Embora tenha declarado que a composição da equipe oficial só será sacramentada após a conclusão do segundo turno, o governador admitiu publicamente que “algumas mexidas” devem ser feitas no secretariado paulista. Entre aliados, a ausência de Kassab é considerada uma certeza. Antigo fiador político do primeiro mandato e ex-titular da Secretaria de Governo, o líder do PSD acumulou desgastes internos, sobretudo após tentar se posicionar como vice na chapa e concorrer nacionalmente ao lado de Ronaldo Caiado.

Com o enfraquecimento de Kassab, legendas antes dominantes no primeiro escalão tendem a encolher. O PSD, que chefia áreas como Saúde, Habitação e Projetos Estratégicos, deve ceder espaço. Em contrapartida, a articulação política estadual deve se concentrar sob a liderança de Roberto Carneiro, presidente do Republicanos-SP, responsável pela costura partidária da campanha e pela aproximação com prefeituras do interior.

Outra movimentação provável envolve a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende. Figura de confiança de Tarcísio e condutora da privatização da Sabesp, ela pode ser promovida para uma função de maior peso político, como a Casa Civil. Na Segurança Pública, o retorno do senador eleito Guilherme Derrite (PP) está descartado, consolidando a permanência do delegado Osvaldo Nico Gonçalves.

Crescimento do MDB e aproximação com o Novo

O MDB desponta como uma das legendas mais fortalecidas na nova fase governamental. Além de abrigar o vice-governador reeleito Felício Ramuth — que rompeu com o PSD durante a montagem das chapas —, o partido conta com o protagonismo do prefeito da capital, Ricardo Nunes, peça-chave na campanha estadual.

Paralelamente, o Executivo busca estreitar laços com o Partido Novo. As tratativas que levaram à desistência eleitoral de Ricardo Salles abriram margem para conversas sobre uma eventual colaboração governamental. Questionado sobre assumir uma secretaria estadual no futuro, Salles ponderou: “Não descarto, obviamente, política tudo é possível, mas não foi objeto da nossa discussão”.

Megaprojetos como vitrine nacional

No campo administrativo, o governador pretende acelerar entregas estruturais de grande porte para transformá-las em marcas de eficiência executiva. Empreendimentos previstos contratualmente apenas para 2031, como o túnel imerso Santos-Guarujá e o Trem Intercidades (TIC) ligando a capital a Campinas, devem ter os cronogramas antecipados para que sejam inaugurados antes do término do mandato, em 2030.

Disputa precoce pela sucessão em 2030

O ambiente partidário prevê relativa estabilidade nos primeiros dois anos de mandato, período em que parlamentares dependem do apoio financeiro e político do estado para as disputas municipais. No entanto, o cenário deve se acirrar intensamente a partir de 2028.

Caso confirme sua desincompatibilização em 2030 para pleitear a Presidência da República, Tarcísio deixará o comando do Bandeirantes para Ramuth, que naturalmente buscará a reeleição. Contudo, Ricardo Nunes surge como forte concorrente interno à sucessão estadual, legitimado pelo apoio prestado à campanha de Tarcísio na capital — feito que garantiu à direita uma vitória eleitoral na cidade que não ocorria desde 2018. Outras legendas da base, como o PL, também avaliam apresentar candidaturas próprias, ampliando a concorrência pelo poder paulista.

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