Abaixo do asfalto, acima da politicagem: as obras invisíveis que finalmente chegam ao Centro de Santa Terezinha
Intervenção de 600 metros de drenagem pluvial enfrenta o ceticismo popular, rompe a lógica eleitoreira de “obras de fachada” e recoloca o saneamento básico como prioridade urgente no município.
Há uma máxima não escrita na política tradicional que dita uma regra perversa: obras enterradas não rendem votos. Tubulações de concreto sob a terra não são vistas no dia a dia, não servem de pano de fundo para fotos de inauguração e tendem a ser esquecidas assim que o tráfego volta a fluir. É justamente por desafiar essa convenção que a atual frente de obras em Santa Terezinha gera um debate necessário e acalorado entre moradores e observadores da gestão pública.
Ao priorizar a implantação de cerca de 600 metros de rede pluvial e melhorias de saneamento no coração da cidade, a Administração Municipal toca em uma ferida antiga: décadas de negligência com a infraestrutura subterrânea, que custaram caro à dignidade e à tranquilidade de quem vive e trabalha na área central.
O desconforto que cura
Durante anos, a cada tempestade severa, o cenário se repetia: o escoamento precário trazia alagamentos, danos materiais e a sensação generalizada de abandono. Ainda assim, a chegada das máquinas dividiu opiniões nas esquinas e no comércio local. A abertura de valas, a poeira e o transtorno inevitável no trânsito levantaram queixas de curto prazo um incômodo imediato que muitos relutam em aceitar.
Contudo, sob a ótica do interesse coletivo, a polêmica revela um contraste evidente. De um lado, a irritação momentânea com o canteiro de obras; de outro, a ruptura definitiva com o descaso histórico.
Especialistas em gestão urbana apontam que investir pesadamente em saneamento e drenagem pluvial não é apenas uma decisão técnica, mas uma postura ética. Em vez de canalizar recursos exclusivamente para reformas estéticas ou projetos puramente visuais, a gestão optou pelo caminho mais complexo: aquele que gera barulho hoje para evitar o colapso amanhã.
Dignidade não é promessa, é estrutura
A instalação dos 600 metros de tubulação pluvial representa mais do que concreto assentado; conforme a prefeita Valquíria Schwarz, significa estancar prejuízos acumulados e garantir salubridade a uma região que há muito demandava uma solução estrutural, e não paliativa.
Para a população que acompanhou gestões sucessivas empurrarem o problema com a barriga, a intervenção sinaliza uma mudança de postura da Administração Municipal: a troca do improviso pelo planejamento. Os desafios logísticos e os contratempos operacionais continuam exigindo fiscalização atenta dos munícipes, mas a diretriz adotada marca um ponto de virada inequívoco.
No balanço entre as críticas pelo pó levantado pelas retroescavadeiras e a segurança sanitária entregue à comunidade, Santa Terezinha demonstra que o verdadeiro compromisso público não teme a poeira da obra quando o objetivo final é enterrar de vez o atraso.

