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Bets: medidas testadas em países europeus mostram potencial para aplicação aqui

Bets: medidas testadas em países europeus mostram potencial para aplicação aqui

Desculpa, Marcos Lisboa, mas vou começar a coluna com evidências anedóticas. Em 2006, as camisas de São Paulo, Corinthians e Palmeiras eram estampadas por LG, Samsung e Pirelli. Em 2016, os patrocinadores dos grandes times da capital já eram Banco Inter, Caixa e Crefisa. Em 2026, são SuperBet, Esportes da Sorte e SportingBet.

Há muitas evidências anedóticas aí. Alguém pode dizer que os patrocínios refletem a evolução da economia brasileira: o boom do consumo de duráveis, que foi seguido por uma fase de bancarização e depois de acesso a celular. Outro pode falar que os brasileiros tinham projetos, depois dívidas e no fim sobraram apostas.

Um mais otimista pode concluir que as marcas refletem inclusão no consumo, inclusão financeira e inclusão digital ou, o pessimista, que nos desindustrializamos, ficamos reféns da financeirização e depois das big techs.

Seja como for, parece difícil, olhando para trás, imaginar que marcas tão fortes vão simplesmente sumir. Eu chutaria que, após as eleições, as bets vão voltar, ainda que de outra forma. Há demanda e um ecossistema que movimenta muitos recursos. Se fosse fácil, o STF já tinha proibido.

Assim, sabendo dos males da situação atual e imaginando que não é realista imaginar a vedação total, trago minha alternativa. Ela vem da intersecção entre psicologia e economia, que nós economistas, de forma imperial, chamamos de economia comportamental. Há quase dez anos, Richard Thaler recebeu o Prêmio Nobel por ser um dos fundadores da área.

Trago agora então evidências científicas. A abordagem de “paternalismo libertário” típico da economia comportamental já foi testada em alguns países contra as apostas de quota fixa. Chama-se de paternalismo porque existe intervenção estatal para proteger um indivíduo, mas chama-se de libertário porque não é baseada em proibições ou mudanças de incentivos econômicos.

No Reino Unido, alteração nos valores sugeridos como limite de apostas reduziu os limites efetivamente escolhidos, apontando que o sugestionamento importava. O país também proibiu mostrar resultados como vitórias, por exemplo com luzes e sons, quando o ganho é inferior à aposta.

Na Holanda, é preciso falar com um humano para ampliar limites acima de determinado valor. Frequentemente regras são diferentes para adultos jovens. Ademais, pausas e extratos periódicos detalhando com clareza perdas e informações claras sobre probabilidades têm sido testadas em países europeus e mostram potencial para aplicação aqui.

Que em 2036 os patrocinadores dos três grandes não sejam a Bahamas Fans, a Quatro por Quatro Models e a Pot Nacional.

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