Dia do professor: o pioneirismo de Santa Catarina e Antonieta de Barros
A relação entre o 15 de outubro e Antonieta de Barros, a primeira mulher negra eleita para o Parlamento catarinense, revela uma história marcante de pioneirismo que conecta Santa Catarina à oficialização do Dia do Professor no país.
A trajetória de Antonieta de Barros e a lei catarinense
Nascida em Florianópolis em 1901, Antonieta atuou como professora, escritora e jornalista, fundando aos 21 anos um curso de alfabetização gratuito que dirigiu por cerca de trinta anos. Ela foi a autora da Lei Estadual 145/1948, que oficializou o dia 15 de outubro como data comemorativa e feriado escolar para a categoria em solo catarinense.
A medida colocou o estado na vanguarda da valorização dos educadores mais de uma década antes da regulamentação em nível nacional, que ocorreu apenas em 1963 por meio de decreto assinado pelo presidente João Goulart. A escolha original da data remonta a um decreto de Dom Pedro I assinado em 1827 sobre o ensino elementar.
O pensamento e o legado educacional
Durante sua atuação pública em 1935, Antonieta rompeu barreiras históricas ao assumir um mandato na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Em sua obra e em seus discursos, ela defendia firmemente que o ensino ia muito além da transmissão simples de conteúdos teóricos.
Em trecho publicado em sua obra literária, ela pontuou que “não basta a alfabetização. É preciso que se torne acessível, a todas as criaturas, a escalada deslumbradora […] Sem cultura, não se consegue a independência moral, … sente-se cada vez mais imperiosa a necessidade imprescindível de se conceder às massas, em toda sua plenitude, o pão do espírito”.
Reforçando essa visão em um discurso realizado em novembro de 1945 no Teatro Álvaro de Carvalho, ela declarou: “Educar é ensinar os outros a viver; é iluminar caminhos alheios; é amparar debilitados, transformando-os em fortes; é mostrar as veredas, apontar as escaladas, possibilitando avançar, sem muletas e sem tropeços; é transportar, às almas que o Senhor nos confiar, a força insuperável da fé.”
Indicadores educacionais e infraestrutura em Santa Catarina
Os dados educacionais recentes apontam cenários importantes para o estado, como a taxa de analfabetismo que caiu para 1,5% em 2025, colocando o território catarinense na segunda posição nacional com os menores índices. O desempenho do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) também apresentou médias de 6,7 nos anos iniciais do ensino fundamental e 5,4 nos anos finais, superando as médias gerais brasileiras, embora o ensino médio mantenha o índice de 4,5, igualando-se à média do país.
No tocante à infraestrutura básica das escolas catarinenses, os números demonstram atendimento integral com 100% de cobertura de energia elétrica e alimentação escolar, além de 90% de acesso à rede de água e 92% de conexão à banda larga.
O panorama geral da educação no estado reforça a importância de políticas públicas contínuas voltadas para a melhoria da aprendizagem e para a permanência dos estudantes, mantendo viva a essência deixada pelo legado histórico de Antonieta de Barros na transformação social por meio do ensino.
