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Liderança do PL descarta acordo com Moraes e mantém foco em impeachment

Liderança do PL descarta acordo com Moraes e mantém foco em impeachment

A cúpula do Partido Liberal descartou qualquer possibilidade de pacto com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, apesar da repercussão gerada por decisões recentes que beneficiaram figuras do bolsonarismo após o pleito realizado no último domingo (4). Enquanto o cenário gerou especulações sobre entendimentos nos bastidores, parlamentares da legenda asseguram que a articulação para afastar o magistrado permanece firme.

Posicionamento das lideranças

“Não adianta o Alexandre de Moraes fazer nenhum aceno agora, que a gente vai impichar ele com o novo Senado. Isso não tem negociação. É inegociável”, declarou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em manifestação recente.

Na mesma linha, o senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) enfatizou que o partido mantém sua principal bandeira para a próxima legislatura. “O Moraes vai cair, o Alexandre de Moraes não vai ficar no STF, não existe essa possibilidade”, afirmou. “Qualquer outra coisa, poderemos sentar e conversar e analisar um caminho pra vivermos institucionalmente em harmonia. Mas o Alexandre de Moraes não fica. Esses senadores eleitos pelo PL foram eleitos pra isso”, acrescentou.

Divergências na cúpula partidária

Enquanto a ala mais radical mantém o tom de confronto, o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, adotou uma postura de maior cautela ao comentar o tema. “Quem vai decidir isso são os nossos senadores. Eles têm independência e eles vão discutir esse assunto, e eu tenho certeza que vão discutir pra fazer o que for melhor para o país”, declarou, ressaltando ainda que o país precisa evitar conflitos extremos.

Por sua vez, o senador Rogério Marinho (PL-RN) adotou um tom institucional após se reunir com o presidente da Corte, Edson Fachin. “Não temos vindita, nem vingança. Se crimes de responsabilidade forem cometidos, é evidente que eles têm que ser investigados. Ninguém tá acima da lei”, pontuou, reforçando que a Casa legislativa cumprirá seu papel fiscalizador.

Cronologia das decisões judiciais

A onda de boatos sobre um suposto entendimento político ganhou força após a divulgação de medidas judiciais assinadas antes da votação, mas tornadas públicas apenas nos dias seguintes. Entre elas, a autorização para progressão ao regime semiaberto de Débora Rodrigues dos Santos — condenada por sua participação nos eventos de 8 de janeiro —, além do arquivamento de inquéritos envolvendo figuras como Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio e o senador Marcos do Val. Já após o pleito, o ministro Gilmar Mendes encerrou investigações contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).

Projeção de votos no Senado

Para que um processo de afastamento de magistrado seja bem-sucedido na Casa Alta, são necessários 54 votos favoráveis entre os 81 parlamentares. Mapeamento recente aponta cerca de 49 apoios já consolidados para o início de 2027, evidenciando que a legenda ainda precisará ampliar sua base de aliados para alcançar o quórum exigido.

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