EUA preparam primeira execução pública em 90 anos por fuzilamento
O ex-militar Nidal Hasan, condenado por matar 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009, será executado por um pelotão de fuzilamento em dezembro. A aplicação da pena contará com uma transmissão ao vivo planejada pelo Pentágono, marcando a primeira execução pública nos Estados Unidos em 90 anos.
Posicionamento do governo americano
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou que não sabe se realmente vai acontecer a transmissão ao vivo da pena capital. “Não sei se isso realmente vai acontecer”, disse Vance, acrescentando que, se a execução for transmitida não acompanharia. “Eu não vou assistir”.
Mais cedo, Donald Trump chamou o ex-militar de “maníaco” e afirmou que ele “merece” morrer por fuzilamento. “Hoje em dia, se você fica dois dias na cadeia, já é muito. Hoje, você pode fazer praticamente qualquer coisa e nada acontece. Mas estamos mudando isso, como vocês estão vendo. Vamos aplicar a pena de morte a um homem que matou 14 soldados há alguns anos. Pena de morte por fuzilamento. E ele merece. Matou e feriu muitas, muitas pessoas. É um maníaco”, afirmou Trump em evento na Casa Baixa. Nesta semana, Trump autorizou pessoalmente a execução de Hasan.
Detalhes da transmissão e do processo
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o público poderá assistir à execução marcada para 3 de dezembro. Em entrevista ao canal de TV Real America’s Voice, Hegseth disse que o exército vai garantir que as pessoas possam acompanhar o ato para mostrar que crimes graves geram consequências severas. Questionado sobre pedidos finais do condenado, Hegseth respondeu: “Não me importa. Vamos vê-lo em 3 de dezembro.”
Repercussão internacional e histórico
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos criticou duramente a iniciativa, classificando a transmissão ao vivo de execuções como uma forma de “tortura”. “Como o Alto Comissariado ressaltou em reação às execuções públicas no Afeganistão e no Irã, as execuções públicas constituem uma forma de tratamento ou pena cruel, desumano e degradante”, pontuou o órgão.
A última execução pública no país ocorreu em 1936, no Kentucky, quando Rainey Bethea foi enforcado. O caso também representará o primeiro fuzilamento militar nos Estados Unidos desde 1945, quando Eddie Slovik foi executado na França por deserção durante a Segunda Guerra Mundial. O fuzilamento permanece como um método raro no país, autorizado atualmente em apenas cinco estados.
