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Motorista de ônibus de turismo usava celular ao atropelar gerente em Papanduva

Motorista de ônibus de turismo usava celular ao atropelar gerente em Papanduva

O motorista de um ônibus de turismo usava o celular quando o veículo avançou e matou Mariane de Fátima Hilko, de 33 anos, prensada contra uma mureta na frente de um restaurante às margens da BR-116, em Papanduva, no Planalto Norte de Santa Catarina. A Polícia Civil concluiu o inquérito neste ano e indiciou o condutor, de 65 anos, por homicídio culposo na direção de veículo automotor.

Como o ônibus avançou sobre a gerente

Mariane era gerente de caixa do restaurante, que funciona em um posto de parada na rodovia. Na noite de 5 de agosto, por volta das 19h, ela saiu do estabelecimento e foi até o ônibus para resolver uma pendência comercial envolvendo passageiros estrangeiros que viajavam no coletivo. Depois disso, voltou caminhando pela frente do veículo.

Foi nesse trecho que o ônibus avançou de repente, atingiu Mariane e a prensou contra a mureta de proteção do restaurante. Para reconstruir os segundos antes do atropelamento, a Polícia Civil usou as imagens das câmeras internas do ônibus e o relatório de telemetria do veículo, sistema que registra dados de movimentação, velocidade e acionamento do freio. O material mostrou que o motorista estava usando o telefone celular.

As imagens e os dados também revelaram que ele se levantou do banco sem desligar o ônibus e sem mudar a marcha, além de retirar a pressão do freio. Sem ninguém ao volante e engrenado, o veículo seguiu para a frente, justamente no ponto por onde Mariane passava. Para a Polícia Civil, a conduta configurou negligência, agravada por ter acontecido em uma área com circulação de pedestres. O indiciamento inclui a causa de aumento prevista para quem comete o crime enquanto conduz veículo de transporte de passageiros.

O que pode acontecer com o motorista

O Código de Trânsito Brasileiro prevê para o homicídio culposo ao volante pena de 2 a 4 anos de detenção, além da suspensão ou proibição de dirigir. Nesse caso, a pena pode aumentar de um terço até a metade.

Depois de atingir a gerente, o ônibus ainda bateu na estrutura de vidro do restaurante e invadiu a área onde ficam as mesas. O Corpo de Bombeiros Militar encontrou Mariane embaixo do veículo, perto dos destroços da mureta, com múltiplas lesões traumáticas. A morte foi confirmada ainda no local, e a área foi isolada para o trabalho da Polícia Científica.

A morte de Mariane comoveu familiares, amigos e moradores da região. Nas redes sociais, amigas lembraram dela como uma pessoa alegre. “Descanse em paz minha amiga, vai fazer muita falta, uma pessoa maravilhosa, alegre, de sorriso fácil e coração encantador. Vou sentir muita saudade, minha eterna Amorinha”, escreveu uma delas. Outra conhecida lembrou: “Lembro com carinho do nosso abraço na semana passada, e hoje essa tragédia”.

Mariane foi velada no salão da Igreja São Pedro, na localidade de Queimados, e sepultada em 6 de agosto no Cemitério Municipal de Papanduva. Com o inquérito concluído, o material da investigação foi encaminhado às autoridades responsáveis pela continuidade do caso. Agora o Ministério Público de Santa Catarina avalia se denuncia o motorista à Justiça. Os nomes do condutor e da empresa de turismo não foram divulgados.

João Vianna

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