Câncer de tireoide em jovens: sintomas, riscos e diagnóstico
O aparecimento de dores ou alterações na região cervical acende um alerta importante para a saúde. Aos 15 anos, a cearense Anna Laura Rocha, natural de Icó e hoje com 20 anos, notou desconforto e protuberâncias no lado direito do pescoço. O que parecia um incômodo pontual revelou-se um câncer de tireoide com metástases cervicais e pulmonares, apesar de a jovem não apresentar qualquer sinal respiratório, como falta de ar ou cansaço.
Não imaginava que seria um câncer, muito menos que a doença teria esse desdobramento e exigiria todo o tratamento pelo qual passei, relembra a jovem, que atualmente estuda medicina.
Por que a doença atinge jovens com frequência?
O diagnóstico recebido por Anna Laura reflete um cenário recorrente nos consultórios oncológicos. De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço Rafael De Cicco, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, este tipo de tumor figura entre os mais frequentes no público feminino entre 20 e 29 anos, padrão que não se repete entre homens da mesma idade.
Grande parte dessa elevação nos índices decorre da evolução tecnológica e do acesso ampliado aos serviços de saúde. Equipamentos modernos de ultrassonografia conseguem flagrar anomalias milimétricas que antes passavam despercebidas. Sobre esse cenário, Rafael De Cicco pontua: A maior parte do aumento vem do fato de procurarmos mais.
Paralelamente, o médico aponta que existe uma alta real na incidência, embora em escala menor, associada ao crescimento da obesidade e a impactos ambientais ainda sob investigação. As alterações hormonais também são investigadas, já que a disparidade entre homens e mulheres surge na puberdade e arrefece após a menopausa. Radiação no pescoço na infância e síndromes genéticas completam a lista de fatores de risco, embora Anna Laura não tivesse histórico familiar do problema.
Principais sinais e formas de identificação
Por ser uma enfermidade silenciosa, que frequentemente não altera taxas hormonais nem provoca incômodo físico, a ausência de dor não descarta a presença de uma lesão maligna. Os especialistas recomendam procurar assistência médica diante dos seguintes indícios:
- Nódulo frontal: caroço palpável ou visível na parte anterior do pescoço;
- Linfonodo aumentado: nódulo na lateral cervical que persiste por período superior a três ou quatro semanas;
- Aumento progressivo: crescimento contínuo de qualquer volume identificado na região;
- Sintomas compressivos: rouquidão prolongada ou dificuldade para engolir.
A rota diagnóstica compreende exames clínicos, dosagem sanguínea do hormônio estimulador da tireoide (TSH) e ecografia. Se houver suspeita, indica-se a punção aspirativa por agulha fina para análise laboratorial, teste que confirmou no caso de Anna Laura um tumor com componentes papilífero e folicular.
A maioria dos nódulos é benigna, e o objetivo é identificar com precisão os poucos que não são, tranquiliza o cirurgião, advertindo ainda contra a realização de rastreamentos preventivos sem critérios clínicos, conduta que pode gerar intervenções desnecessárias.
Como funciona a recuperação e a rotina após o tumor
As condutas terapêuticas são personalizadas de acordo com o estágio da doença. As abordagens podem envolver tireoidectomia parcial ou total, esvaziamento cervical para retirada de linfonodos e aplicação de iodo radioativo, substância eficiente inclusive contra focos secundários nos pulmões de pacientes novos.
Para superar o quadro, Anna Laura enfrentou a remoção completa da glândula, cirurgia na lateral do pescoço e três etapas de iodoterapia, o que demandou deslocamentos para Salvador, períodos em isolamento e dieta restritiva.
Enquanto meus colegas saíam e se divertiam, eu precisava permanecer recolhida para tratamentos e dietas rigorosas, relata a universitária. O período de reabilitação também envolveu queda capilar, cansaço, pele seca e taquicardia decorrentes do acerto da dosagem da levotiroxina.
Com o quadro oncológico estabilizado e acompanhamento contínuo, a estudante agora foca no terceiro semestre da faculdade. Sinto que meu organismo já se adaptou melhor à reposição hormonal do que nos anos iniciais, então minha qualidade de vida é boa, o que me permite seguir com os estudos, por exemplo, conclui.
