Lula aceita exigência de Flávio para abrir sigilos na eleição
O confronto direto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) atingiu novo patamar de tensão na reta final da corrida presidencial de segundo turno. Em um desdobramento do desafio mútuo de transparência, a campanha do atual presidente confirmou que aceitou a exigência imposta pelo adversário para a divulgação pública de dados fiscais e bancários.
Troca de condições eleva temperatura da campanha
O embate teve início após provocações sobre a abertura dos sigilos de ambos os concorrentes ao Palácio do Planalto. Em resposta, o senador do PL declarou que concordaria em fornecer suas movimentações financeiras apenas se a medida também abrangesse Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-assessor da equipe petista. Pouco depois, o comitê de Lula afirmou concordar integralmente com a contrapartida.
Investigação da Polícia Federal mira apostas e aliados
Paralelamente à troca de acusações eleitorais, o cenário político acompanha os desdobramentos de um inquérito conduzido pela Polícia Federal (PF) sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração apura a suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas esportivas, com citações a Flávio Bolsonaro e ao advogado Willer Tomaz.
De acordo com o relatório da corporação, Tomaz mantinha “atividade profissional conjunta e proximidade pessoal” com Hazenclever Lopes Cançado, ex-presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Os investigadores apontam que o advogado custeou viagens do então dirigente da autarquia antes de obter uma licitação destinada ao processamento financeiro de apostas no estado fluminense.
Cenário jurídico e articulações da reta decisiva
O clima conturbado do pleito também provocou reações no meio jurídico. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu recuar da proposta de uma minuta que visava restringir canais de transmissão no WhatsApp. A iniciativa vinha sendo contestada por especialistas e impactaria diretamente as redes de mobilização de ambos os lados, como os canais Tropa de Flávio, com 2 milhões de inscritos, e Exército de Lula, que soma 7 milhões.
Ao mesmo tempo, novos desgastes atingiram o petismo após a divulgação de registros fotográficos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao lado do lobista Luchsinger durante viagem em jato particular e em passeio na Finlândia.
Nas pesquisas de intenção de voto, o quadro segue indefinido e com aumento do número de eleitores indecisos. Flávio Bolsonaro mantém desempenho superior entre os que apoiaram Ronaldo Caiado e Renan Calheiros no primeiro turno, garantindo vantagem de seis pontos nesse segmento, enquanto Lula lidera entre simpatizantes de Cury e consolida preferência na faixa do eleitorado que declara voto nulo, branco ou abstenção.
