TRIBUNA EM CHAMAS: Pascoal Schultz denuncia “desmanche de veículos”, aponta abandono do interior e levanta suspeita sobre desvio de verba federal em Santa Terezinha
Em discurso contundente na Câmara, parlamentar disparou contra desculpas climáticas do Executivo, escancarou o isolamento de produtores e cobrou explicações sobre uso de recursos destinados a agentes de saúde para cobrir folha salarial.
A sessão da Câmara de Vereadores desta segunda-feira (20) subiu de tom durante a manifestação do vereador Pascoal Schultz (PL). Em um pronunciamento incisivo na Palavra Livre, o parlamentar subiu à tribuna para fazer duras acusações contra a atual gestão municipal, expondo o que classificou como “abandono histórico” das estradas do interior, descaso com produtores rurais e levantando fortes suspeitas sobre a destinação de verbas federais destinadas aos servidores da saúde.
“Desmanche de veículos” e desculpas esfarrapadas
Rebatendo justificativas frequentes de que as chuvas e fenômenos climáticos como o El Niño seriam culpados pela situação caótica da malha viária, Schultz não poupou críticas à administração:
“Dizer que chove em todos os municípios e o nosso está o pior é balela. Chove para todo mundo. Cidades vizinhas como Itaiópolis e Papanduva dão um banho de exemplo perante a vergonheira que virou Santa Terezinha”, disparou.
Segundo o vereador, a ligação entre o município e as pontes de Itajaí transformou-se em um “verdadeiro desmanche de veículos”. Ele acusou o setor competente de inação durante os períodos de estiagem: “Quando o tempo estava bom, deixaram na linha do abandono e do esquecimento. Cadê o maquinário? Cadê a patrulha trabalhando? É raríssimo ver duas ou três caçambas rodando. Prometeram montanhas de brita com emendas de deputados, mas cadê o serviço feito? Depois que o paciente está no caixão, não adianta dar remédio”.
Carga viva atolada e crianças arriscando a vida na água
Para ilustrar o impacto econômico e social do descaso, Schultz relatou o drama vivido pelo produtor rural Augusto Nicolai, proprietário de um confinamento de gado que gera expressiva arrecadação ao município. Segundo o parlamentar, caminhões de transporte de carga viva chegaram a depender de quatro horas de guincho para conseguir vencer os atoleiros e cumprir os horários agendados nos frigoríficos.
O tom subiu ainda mais ao tratar das pontes rurais, com foco no Cambará Craveiro:
“A ponte está destruída. Mães e pais estão sendo obrigados a carregar crianças pela água para que elas não percam a aula. Em ano chuvoso, o rio sobe e nossos estudantes ficam ilhados por pura falta de atitude de quem recebe para trabalhar e não entrega serviço”.
O parlamentar mandou ainda um recado direto a assessores e gestores da pasta de obras: “Não adianta me mandar mensagem em tom de cobrança no WhatsApp. Vão responder ao povo que está clamando nas comunidades e não é atendido”.
Suspeita sobre verbas federais: IFA usado para bancar 13º?
O ponto de maior atrito político do pronunciamento envolveu o repasse do Incentivo Financeiro Adicional (IFA), verba federal carimbada para os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE).
Schultz revelou que, após ter um projeto de regulamentação devolvido por prerrogativa exclusiva do Poder Executivo, foi pessoalmente cobrar a prefeita municipal. A justificativa verbal dada pela gestora chocou o parlamentar: a verba federal estaria sendo utilizada para custear o 13º salário da folha de pagamento.
“Nossa orientação jurídica é categórica: isso é irregular, não pode acontecer. Não vamos aceitar desculpas nem nos curvar diante dos fatos”, declarou.
O vereador confirmou a abertura de um Requerimento de Informações oficial para investigar detalhadamente o paradeiro dos recursos do IFA e alertou que, persistindo as inconsistências, levará o caso aos órgãos fiscalizadores competentes.
Homenagem em meio ao embate
Antes de abrir fogo contra a gestão, Schultz dedicou parte da fala para exaltar a memória de Silvério Katsan, pioneiro do Distrito de Craveiro que dá nome a uma via recém-oficializada no município, ressaltando o respeito à família e o contraste entre os valores do pioneirismo local e o cenário administrativo atual.
