Tse cobra Meta e X por suspeita de favorecimento a Flávio Bolsonaro
Tribunal Superior Eleitoral determina prazo para Meta e X explicarem suposto favorecimento político nas redes sociais antes do segundo turno. A dois dias da realização do segundo turno das eleições, marcado para este domingo (25/10), o Tribunal Superior Eleitoral determinou que as gigantes tecnológicas Meta e X apresentem esclarecimentos no prazo de 24 horas. A ordem foi emitida pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Boas Cueva, após uma representação formalizada pela Coligação Brasil Pronto Pra Mais, aliança que apoia a chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Acusações de tratamento desigual e uso de inteligência artificial
A demanda jurídica aponta que as plataformas estariam conferindo tratamento privilegiado à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na distribuição, moderação, recomendação e no impulsionamento de publicações político-eleitorais. Além disso, a aliança questiona a utilização de ferramentas de inteligência artificial e a suposta supressão de material jornalístico nas redes. A coligação petista exige que as empresas adotem postura isonômica entre os concorrentes à Presidência da República e suspendam o recurso de tradução automática em postagens e comentários sobre a disputa. A petição também requer que as plataformas evitem conceder alcance excepcional por meio de ajustes de ranqueamento ou listas especiais para perfis específicos, como os de @flaviobolsonaross3, @flaviobolsonaro_go e @nikolasferreiras2.
Falhas no impulsionamento e remoção de conteúdo
Outro ponto levantado na ação diz respeito à recomposição do alcance pago. A campanha de Lula argumenta ter sofrido prejuízos na divulgação de publicações oficiais devido a falhas técnicas nos dias 9 e 10 de outubro de 2026, exigindo medidas compensatórias para recuperar a exposição perdida. Os representantes do petista também relataram a exclusão de um vídeo da série Revelando, intitulado Flavinho de Papai, que foi retirado do Instagram pela Meta em menos de uma hora após a postagem sob o argumento de uso irregular de inteligência artificial em material eleitoral. A equipe jurídica nega qualquer emprego de IA na produção do conteúdo.
Posicionamento das empresas e penalidades
A denúncia aponta que postagens orgânicas do candidato bolsonarista estariam alcançando mais usuários do que as de Lula, mesmo o perfil do presidente acumulando um número superior de seguidores no Instagram. A urgência da medida se deve ao calendário eleitoral. O corregedor-geral eleitoral justificou o prazo exíguo ressaltando que “essa distinção assume especial relevância diante do reduzido intervalo até o pleito, que recomenda concentrar a apreciação imediata nas medidas cuja utilidade possa se esgotar com o encerramento da votação, sem prejuízo da posterior instrução da investigação”. Caso a determinação seja descumprida, o magistrado estipulou o pagamento de multa diária no valor de R$ 500 mil reais para as companhias. Em nota divulgada anteriormente, a Meta refutou as acusações de parcialidade e declarou que “a página oficial da campanha de Lula no Facebook e sua conta no Instagram nunca foram bloqueadas”. No entanto, a corporação reconheceu falhas técnicas no impulsionamento de postagens do petista ocorridas em 23 de setembro. De acordo com a big tech, o material foi rejeitado por uma “possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise mais ampla de combate a fraudes”.
