Homem vai a júri por tentativa de homicídio em Major Vieira
O Tribunal do Júri de Canoinhas realiza nesta sexta-feira, 6, o julgamento de Tiago Barbosa, acusado de tentar assassinar o padrasto de sua filha. O episódio violento aconteceu no dia 7 de setembro de 2024, no município de Major Vieira, após um desentendimento sobre a visitação da menor de idade.
Dinâmica do crime e denúncia do Ministério Público
Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o réu dirigiu-se à residência de Maikon Jonatan Bialeski, localizada na rua Duque de Caxias, por volta das 21 horas, com o objetivo de buscar a filha, Maria Isabeli Barbosa, na época com oito anos. A criança é fruto do relacionamento de Tiago com a atual companheira de Maikon.
A acusação sustenta que o padrasto impediu a retirada da criança por considerar que o pai estava em estado alterado e por ser um horário avançado. Em resposta, o denunciado teria sacado uma arma escondida atrás de um muro e disparado três vezes em direção à vítima. Maikon conseguiu escapar para o interior da casa, evitando ser atingido. Os projéteis acabaram danificando a estrutura da garagem, uma parede e uma janela da residência.
Motivação e agravantes
O MPSC defende que o crime foi motivado por razões fúteis e executado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Os promotores argumentam que o acusado planejou a ação, escondendo o armamento e usando o pretexto da visita para atrair o padrasto para fora do imóvel.
Além da tentativa de homicídio, Tiago responde por porte ilegal de arma de fogo e ameaça. Testemunhas relataram que, após os disparos, o réu teria proferido ameaças contra Maikon e a mãe da criança, garantindo que retornaria para concluir o ato.
Versão do acusado e argumentos da defesa
Em seu interrogatório, Tiago Barbosa apresentou uma narrativa distinta. Ele alegou que portava o armamento apenas por receio de sofrer agressões e afirmou que os tiros foram disparados para o alto, sem a intenção de ferir o padrasto. O réu negou categoricamente as ameaças feitas após o incidente.
Sobre o conflito familiar, o acusado admitiu que falhou ao não buscar a regularização judicial das visitas, mas reforçou que sua intenção era apenas manter o contato com a filha. A defesa do réu solicitou a absolvição por falta de provas, a exclusão das qualificadoras e a contestação dos crimes de ameaça e porte de arma.
Decisão judicial
O magistrado responsável pelo caso decidiu pela pronúncia do réu, mantendo as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa. O juiz entendeu que há indícios suficientes de autoria e materialidade para que o Conselho de Sentença decida o destino de Tiago, cabendo aos jurados avaliar as versões conflitantes apresentadas durante o julgamento.

