Eleições no Brasil revelam país preso a conflitos políticos radicais
O Brasil vai às urnas neste domingo (4) refém da armadilha criada pela batalha de aversões e afeições em que se transformou a política, que deixou de ser a arte da construção de consensos a partir de dissensos para se tornar a própria fonte da discórdia.
O impacto da polarização nas instituições
A lógica vigente prioriza o conflito pelo conflito, gerando impasses contínuos sem entregas práticas para a sociedade. Debater a polarização e reduzi-la a duas correntes incapazes de ouvir o contraditório tornou-se um lugar-comum repetitivo.
Essa simplificação não ajuda a encontrar uma rota de fuga nem esclarece as origens do problema. Da mesma forma, discutir quem deu início a essa dinâmica de atrito não contribui para a formulação de soluções futuras.
A falta de compromisso com o futuro nacional
Independentemente de qual lado venha a retórica, o estrago já está consolidado. O foco atual deve ser descobrir como sair dessa situação complexa. Entre os favoritos nas urnas, o que se observou foi o incentivo à contaminação do ambiente público, inclusive com reflexos nos tribunais superiores.
Falta aos diferentes atores envolvidos qualquer compromisso real com as consequências de seus atos. Enquanto o Congresso se concentra em questões orçamentárias, a cúpula do Judiciário se envolve em rivalidades militantes. Além disso, a chefia do governo tornou-se alvo da cobiça de grupos focados exclusivamente em projetos próprios, deixando a nação à mercê da própria sorte.
Caminhos para a redemocratização institucional
A única saída para essa cilada é o resgate rigoroso da obediência às regras e aos papéis definidos em lei. Também seria fundamental uma abertura coletiva para arejar o debate, permitindo que vozes alternativas sejam ouvidas sem sofrer desqualificações apenas por se recusarem a participar de confrontos agressivos.
Para que a reorganização institucional aconteça de forma urgente e indispensável, cada poder precisa cumprir seu papel constitucional:
* Ao Legislativo caberia voltar a exercer suas funções de representação popular * Ao Judiciário, a retomada do papel de defesa da legalidade * Ao Executivo cumpriria a tarefa de governar para todos, trafegando nas divergências com respeito ao adversário



