Ministério público denuncia policial militar por feminicídio em Embu das Artes
O Ministério Público apresentou denúncia contra um policial militar acusado de assassinar a companheira em Embu das Artes, cidade situada na Região Metropolitana de São Paulo. O soldado Vinicius Costa Silva, de 26 anos, é apontado como responsável pelo tiro que matou a técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, 29, no interior da residência onde moravam.
Pedidos da promotoria à justiça
Além de solicitar a conversão para prisão preventiva do acusado, a Promotoria requereu que a Justiça determine o pagamento de uma indenização mínima de R$ 100 mil destinada aos herdeiros da vítima, valor que inclui o filho de dois anos que o casal tinha em conjunto.
Protocolada durante a semana, a peça acusatória tramita sob sigilo de Justiça. O órgão ministerial exige que o militar seja submetido a julgamento perante o Tribunal do Júri, o que tornará o soldado réu caso a acusação seja acatada pelo magistrado.
Histórico do caso e prisão
O homicídio ocorreu no dia 6 de setembro. No dia seguinte ao crime, o agente de segurança foi preso e atualmente permanece recluso no Presídio Militar Romão Gomes, localizado na zona norte da capital paulista.
Contradições entre defesa e perícia
O soldado nega as acusações e sustenta que a mulher cometeu suicídio depois que ele manifestou o desejo de encerrar o relacionamento. A defesa, representada pelo advogado Roberto Montanari, foi contatada por mensagem e telefone, mas não retornou aos contatos para comentar o avanço da denúncia.
Contudo, a promotora Camila Bonafini Pereira ressalta que os laudos técnicos refutam a narrativa sustentada pelo investigado. Entre os pontos destacados pela acusação está a trajetória do projétil, descrita no exame necroscópico como sendo da esquerda para a direita, sendo que Larissa era destra.
O trabalho pericial também indicou que o tiro não foi disparado com a arma encostada na cabeça e que o projétil atingiu a vítima pelas costas, no momento em que ela se encontrava em posição vertical.
Dinâmica do crime
Conforme a reconstituição elaborada pelo Ministério Público, o suspeito pegou sua arma de fogo, um revólver Taurus calibre .357 Magnum, dirigiu-se ao banheiro onde a técnica em radiologia estava e efetuou o disparo na cabeça dela de forma repentina, impossibilitando qualquer reação defensiva.
O crime foi classificado pelo Ministério Público como feminicídio por ter acontecido no âmbito da violência doméstica e familiar, visto que ambos viviam em união estável na mesma residência e compartilhavam a criação de um filho.


