Eleições estaduais mobilizam debates nacionais e cenários acirrados
Os candidatos aos governos estaduais aproveitaram a votação deste domingo, 3, para repercutir temas de relevância nacional, com foco especial em debates econômicos e institucionais. Em São Paulo, o pleito estadual teve forte tom federal nas declarações dos principais concorrentes ao Palácio dos Bandeirantes.
Disputa em São Paulo e o cenário político nacional
Votando no Colégio Miguel de Cervantes, no Morumbi, Tarcísio de Freitas (Republicanos) direcionou críticas à condução econômica federal, apontando o excesso de gastos públicos do governo Lula (PT) como o principal motivador dos juros altos. O atual chefe do Executivo paulista também comentou sobre a movimentação de eleitores em direção à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Por sua vez, Fernando Haddad (PT) concentrou suas declarações no impacto do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o cenário eleitoral, defendendo a necessidade de uma reforma no Judiciário diante de questionamentos de credibilidade após revelações envolvendo ministros e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Haddad registrou seu voto em uma escola localizada em Moema.
De acordo com levantamento da Quaest divulgado no sábado, 3, a corrida pelo governo paulista aponta liderança do atual governador com 60% dos votos válidos, enquanto o petista registra 36%, projetando uma possível definição do pleito já no primeiro turno.
Promessas de renovação no Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, marcado por sucessivas crises políticas e pelo histórico de afastamentos de ex-chefiadas do Executivo estadual, o mote central das campanhas foi a busca por mudança. Eduardo Paes (PSD) classificou o momento fluminense como a pior fase de sua história e criticou a atuação de grupos políticos anteriores.
Paes afirmou que a “luta no Rio é civilizatória” e mencionou as gestões de Wilson Witzel e Cláudio Castro. “Não vejo a hora de sentar com o governador interino Ricardo Couto para avançar naquilo que ele já tem feito”, declarou.
Do outro lado, Douglas Ruas (PL) afastou qualquer possibilidade de aliança com o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), que havia sinalizado apoio mesmo que contrariado. “Não há nenhuma conversa (com Garotinho). Minha campanha foi dedicada a mostrar para a população um caminho diferente da velha política, dessas pessoas que estão há 30 anos se revezando no poder”, disse a jornalistas. “No tem nenhuma compatibilidade nas ideias, nas nossas propostas.”
Ruas votou no Instituto Cultural Amendoeira, em São Gonçalo, cidade administrada por seu pai, Capitão Nelson. Mais cedo, acompanhou Flávio Bolsonaro em seu local de votação em Vila Isabel, na zona Norte carioca. Pesquisa Quaest colocou Paes na liderança com 51% dos votos válidos, seguido por Ruas, que soma 43%.
Pernambuco e Bahia em compasso de empate técnico
Em Pernambuco, a disputa entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) figurou entre as mais polarizadas do país. Pesquisa Atlas/Intel apontou um cenário de empate técnico, com Raquel detendo 48,9% dos votos válidos contra 48,4% de Campos.
“Fizemos muito, mas ainda temos muitas coisas a fazer, agora está na mão do povo de Pernambuco”, declarou Raquel. Já João Campos expressou confiança e evitou cravar a vitória antecipada. “Meu sentimento é de gratidão e de que teremos uma grande vitória”, disse, acrescentando sobre o primeiro turno: “Quem vai dizer como vai ser, primeiro ou segundo turno, é o povo. A gente está aqui para respeitar”.
Na Bahia, principal reduto petista no Nordeste, o confronto entre Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) também reflete um empate técnico. A Quaest apontou o candidato petista com 52% dos votos válidos e o oposicionista com 48%.
Após votar na UFBA, ACM Neto criticou a condução da reta final da campanha. “Essa campanha infelizmente teve um final marcado por baixaria, por mentiras”, afirmou. “É fruto do desespero, é fruto da dor de cabeça de um grupo que não está preparado para perder o poder depois de 20 anos.” Em resposta, Jerônimo Rodrigues apontou falhas da gestão municipal de Salvador e apostou na entrega de projetos estaduais, como o VLT e a expansão do metrô, para alavancar sua votação na capital.



