Cientista política aponta apatia do eleitorado nas eleições brasileiras
Cientista política e professora da Universidade do Texas, Wendy Hunter avalia que o próximo pleito presidencial no Brasil apresenta um cenário com “os dois lados apagados”. Segundo a especialista, o eleitorado demonstra evidente cansaço em relação a Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, enquanto o principal nome da oposição, Flávio Bolsonaro (PL), tampouco consegue gerar grande empolgação popular.
Fatores de desgaste eleitoral
Autora de estudos sobre a trajetória petista, a pesquisadora aponta que a antipatia ao partido não se restringe a uma parcela tradicionalmente rica, branca e moradora das regiões Sul e Sudeste. Trata-se de um “conjunto muito heterogêneo” de perfis que inclui minorias. Esse sentimento é alimentado por uma nova narrativa focada no mérito e no esforço individual.
Além disso, o custo de vida elevado e o desejo por renovação política pesam contra o atual governo. A pesquisadora ressalta que muitos cidadãos priorizam o empreendedorismo em detrimento de antigas estruturas trabalhistas, o que reduz o apelo histórico de pautas ligadas aos sindicatos e à CLT.
Democracia e instituições
Apesar da retórica dura da oposição, a cientista política descarta riscos imediatos ao regime democrático brasileiro em caso de vitória conservadora. Para ela, o modelo de federalismo e a atuação do Poder Legislativo funcionam como travas institucionais, já que os congressistas “perderiam espaço com uma solução autocrática”. No entanto, ela alerta que programas sociais e iniciativas voltadas à preservação da Amazônia estariam vulneráveis sob uma nova gestão direitista.
Por fim, Hunter comenta a força do herdeiro político de Jair Bolsonaro, destacando que o candidato da oposição se beneficia de uma base fiel de aproximadamente 30% do eleitorado, somada aos eleitores movidos pelo sentimento de rejeição ao atual presidente.


